Estrangulamentos pelas costas: o Short Choke, o RNC e todas as variações que finalizam lutas
O controle das costas é a posição mais dominante no grappling. Uma vez que o atacante assegura as costas com ganchos e pegada de cinto de segurança, a luta está estatisticamente encerrada — a taxa de finalização a partir do controle das costas ultrapassa 70% no grappling de submissão de alto nível. A razão é a família de estrangulamentos disponíveis a partir desta posição: o rear naked choke, o short choke e suas muitas variações.
A maioria das pessoas conhece o rear naked choke — a trava em figura quatro atrás da cabeça que comprime ambas as artérias carótidas. É a submissão mais comum na história do MMA, representando quase 40% de todas as finalizações por submissão no UFC. Mas o rear naked choke tem uma fraqueza: exige que o braço que estrangula passe profundamente por baixo do queixo, ultrapassando as mãos defensivas do oponente. Contra um defensor treinado com o queixo bem encaixado, isso pode ser difícil ou impossível.
É aí que o short choke se torna essencial. O short choke — também chamado de estrangulamento por compressão do antebraço, quick choke ou short RNC — usa um envolvimento parcial do antebraço na garganta sem passar o braço completamente por baixo do queixo. Sacrifica a compressão bilateral limpa das carótidas do RNC por uma pressão esmagadora direta na traqueia e artérias. O resultado: uma finalização em 2 a 5 segundos em vez dos típicos 8 a 10 segundos do RNC.
Compreender o espectro completo dos estrangulamentos pelas costas — do RNC limpo ao brutal short choke e cada variação entre eles — é o que separa um lutador intermediário de um avançado.
O Rear Naked Choke: o padrão ouro
O rear naked choke é a submissão mais estudada e mais aplicada nos esportes de combate. A mecânica é bem estabelecida: o braço que estrangula desliza por baixo do queixo do oponente, a mão livre agarra o bíceps do braço que estrangula, e a mão livre pressiona atrás da cabeça do oponente, criando um triângulo selado de pressão.
O RNC funciona comprimindo ambas as artérias carótidas simultaneamente. Essa compressão bilateral corta o fluxo sanguíneo para o cérebro, causando inconsciência em aproximadamente 8 a 10 segundos. É um estrangulamento sanguíneo, não um estrangulamento de ar — a traqueia não é o alvo principal.
Detalhes-chave do RNC clássico:
- A lâmina do antebraço (não o bíceps) se alinha com o centro da garganta
- O cotovelo deve estar diretamente abaixo do queixo
- A mão livre empurra a cabeça para frente contra o braço que estrangula
- A finalização vem de puxar os cotovelos juntos enquanto expande o peito
A fraqueza do RNC é a preparação. Um oponente treinado vai encaixar o queixo, lutar com as mãos e criar frames para impedir que o braço deslize. Essa batalha defensiva pode durar minutos e consumir uma energia enorme.
O Short Choke: mais rápido, mais agressivo, subestimado
O forearm compression short choke contorna completamente o problema de preparação do RNC. Em vez de passar o braço completamente por baixo do queixo, o praticante posiciona o antebraço diretamente na parte da frente da garganta — frequentemente sobre o próprio queixo — e aplica pressão esmagadora para baixo.
Charles Yerkow descreveu essa técnica em Modern Judo (1942): "Este estrangulamento será duplamente eficaz se você forçar a cabeça dele para frente com seu ombro direito enquanto pressiona seu antebraço direito contra o pescoço dele." A técnica já era bem conhecida no judô com o nome hadaka jime, mas a variação específica "curta" — usando um envolvimento parcial em vez de um envolvimento completo — ganhou destaque no grappling moderno sem quimono.
Como o short choke difere do RNC:
| Rear Naked Choke | Short Choke | |
|---|---|---|
| Posição do braço | Envolvimento completo sob o queixo, trava em figura quatro | Envolvimento parcial, antebraço pela garganta |
| Mecanismo principal | Compressão bilateral das carótidas (estrangulamento sanguíneo) | Pressão combinada traqueal + carótida |
| Tempo até a inconsciência | 8–10 segundos | 2–5 segundos |
| Pegada | Figura quatro (pegada no bíceps) | Gable grip, palma com palma ou S-grip |
| Eficácia vs queixo encaixado | Exige passar pelo queixo | Funciona sobre o queixo |
| Nível de dor | Moderado — estrangulamentos sanguíneos limpos são indolores | Alto — pressão esmagadora na garganta e mandíbula |
| Risco | Baixo — estrangulamento sanguíneo limpo | Maior — possível dano traqueal |
| Legalidade em competição | Legal em todo lugar | Legal na maioria dos regulamentos (IBJJF, UFC) |
A vantagem do short choke é clara: não exige que o braço passe por baixo do queixo. O antebraço pressiona diretamente contra o que estiver na frente — queixo, mandíbula, garganta. A principal defesa do oponente contra o RNC (encaixar o queixo) na verdade facilita o short choke, porque o queixo encaixado cria um ponto de apoio para a pressão do antebraço.
Variações do Short Choke
A família do short choke inclui diversas variações de pegada, cada uma com vantagens táticas:
Short Choke com Gable Grip — O braço que estrangula envolve parcialmente o pescoço, e as mãos se conectam em gable grip (palma com palma, dedos entrelaçados). Esta é a pegada mais forte para força esmagadora pura. O manual marcial Blitz descreve isso com precisão: "Executa um estrangulamento traseiro em gable grip, usando a borda cortante de seu antebraço interno."
Pegada palma com palma — Similar ao gable grip, mas sem entrelaçar os dedos. As palmas se pressionam juntas atrás da cabeça do oponente ou no ombro distante. Esta pegada permite transições mais rápidas entre tentativas de estrangulamento.
S-Grip (Butterfly Grip) — Os dedos de ambas as mãos se engancham em formato de S. Esta pegada é mais fraca que o gable, mas permite mais flexibilidade no ajuste do ângulo do estrangulamento.
Short Choke com pressão facial — O antebraço pressiona o rosto em vez da garganta, usando a linha da mandíbula como alavanca para girar a cabeça e expor o pescoço. Tecnicamente é mais um crank do que um estrangulamento, mas é igualmente eficaz para forçar um tap.
Outros estrangulamentos a partir do controle das costas
Além do RNC e do short choke, o controle das costas dá acesso a várias outras técnicas de finalização:
Estrangulamento de gola deslizante (Gi) — No grappling com quimono, a lapela fornece uma alça para estrangulamentos impossíveis sem quimono. O praticante passa a própria lapela do oponente pela garganta e a usa como superfície de estrangulamento. Esta técnica é chamada okuri eri jime no judô.
Rear Naked Choke com braço preso — Uma variação onde um dos braços do oponente fica preso dentro do laço do braço que estrangula. Isso reduz a alavancagem em comparação com um RNC limpo, mas impede o oponente de lutar contra o estrangulamento com as mãos.
Mata Leão — O nome brasileiro para o rear naked choke, mata leão enfatiza a natureza predatória da posição. Em competições de jiu-jitsu brasileiro, o mata leão a partir do controle das costas representa 35 a 50% de todas as submissões nos Campeonatos Mundiais.
Hadaka Jime — O nome no judô para o "estrangulamento nu" — um estrangulamento aplicado sem usar o quimono. No judô, hadaka jime abrange tanto o RNC completo quanto as variações do short choke. O judô competitivo permite todas as formas de hadaka jime.
Quando usar qual estrangulamento
A escolha entre o RNC e o short choke depende do que o oponente está fazendo:
Use o RNC quando:
- O oponente não encaixou o queixo — o braço pode deslizar limpo
- Há tempo — o RNC exige paciência para ser preparado
- O objetivo é um estrangulamento sanguíneo limpo com risco mínimo de lesão
- O oponente está exausto e sua luta de mãos está fraca
Use o short choke quando:
- O oponente tem o queixo bem encaixado — o RNC não consegue entrar
- A velocidade importa — o árbitro pode colocar a luta em pé, ou o tempo está acabando
- O oponente está defendendo o RNC — está focado em prevenir o envolvimento completo
- As mãos do oponente estão ocupadas — está lutando contra os ganchos em vez do estrangulamento
Os melhores atacantes de costas em competição — Marcelo Garcia, Gordon Ryan, Craig Jones — alternam entre essas opções. Ameaçam com o RNC para provocar a defesa do queixo encaixado, depois trocam para o short choke quando o queixo desce. Ou atacam primeiro com o short choke, forçando o oponente a levantar o queixo para aliviar a pressão na mandíbula, criando a abertura para o RNC completo.
A biomecânica dos estrangulamentos pelas costas
Todos os estrangulamentos pelas costas exploram a mesma vulnerabilidade anatômica: as artérias carótidas percorrem ambos os lados do pescoço, protegidas apenas por finas camadas de músculo. Qualquer compressão sustentada — seja do antebraço, do bíceps ou do próprio ombro do oponente — interrompe o fluxo sanguíneo para o cérebro.
A cadeia cinética em um estrangulamento pelas costas flui dos quadris pelos ganchos (controle de pernas), pelo tronco (pegada de cinto de segurança) e para os braços (superfície de estrangulamento). Os ganchos impedem o oponente de girar; o cinto de segurança o impede de deslizar para baixo; os braços aplicam a pressão de finalização.
O short choke adiciona um elemento biomecânico que o RNC não possui: pressão traqueal direta. Enquanto o RNC visa apenas as artérias carótidas (estrangulamento sanguíneo), o short choke frequentemente comprime também a traqueia (estrangulamento de ar). Essa combinação de restrição sanguínea e restrição respiratória explica por que o short choke produz taps mais rápidos — o oponente experimenta tanto a privação de oxigênio quanto o pânico da compressão das vias aéreas simultaneamente.
Por que lutadores de MMA raramente usam o short choke
Apesar de sua velocidade e eficácia, o short choke permanece subutilizado no MMA profissional. O rear naked choke conta com 635 finalizações na história do UFC — aproximadamente 40% de todas as submissões — enquanto o short choke mal aparece nas estatísticas. As razões são culturais, táticas e regulatórias.
A cultura de treino favorece o RNC. A maioria dos lutadores de MMA aprende grappling através do jiu-jitsu brasileiro, onde o rear naked choke é ensinado como o ataque principal das costas desde a faixa branca. O short choke raramente é treinado nas aulas de fundamentos. Os lutadores recorrem por padrão ao que praticaram milhares de vezes.
Os treinadores ensinam a finalização "limpa". O RNC é considerado a forma tecnicamente correta de finalizar das costas. Os treinadores enfatizam passar o braço por baixo do queixo para um estrangulamento sanguíneo em vez de esmagar a garganta com o antebraço. O short choke às vezes é visto como uma técnica "suja" ou desesperada — eficaz, mas sem elegância.
Preocupações com pressão traqueal. As comissões atléticas e árbitros são treinados para observar estrangulamentos perigosos. Um short choke que esmaga a traqueia parece mais violento do que um RNC limpo, e árbitros podem intervir ou dar advertências. Os lutadores se preocupam com escrutínio médico pós-luta ou faltas por "esmagar" a garganta, mesmo que a técnica seja legal.
As luvas mudam a equação. As luvas de MMA tornam a superfície do antebraço mais larga e menos precisa. A lâmina do antebraço — a superfície ideal de estrangulamento para o short choke — é acolchoada pela área do pulso da luva, reduzindo a eficácia. No grappling sem quimono e sem luvas, o short choke é significativamente mais comum.
O contra-argumento está emergindo. Uma nova geração de grapplers de MMA — particularmente aqueles treinados no sistema Danaher Death Squad e 10th Planet Jiu-Jitsu — está usando cada vez mais o short choke como complemento do RNC. À medida que a competição evolui e a defesa do queixo encaixado melhora, espere que o short choke se torne uma arma padrão no MMA dentro da próxima década.
Navegue pela taxonomia completa de estrangulamentos pelas costas: Back Control Choke, Rear Choke, Short Choke.
Explore mais submissões: Choke and Strangle Lock. Ou navegue pela taxonomia completa no índice de técnicas A-Z.
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Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre o rear naked choke e o short choke?
O rear naked choke usa um envolvimento completo do braço sob o queixo com uma trava em figura quatro atrás da cabeça, criando compressão bilateral limpa das carótidas. O short choke usa um envolvimento parcial do antebraço pela garganta com pegada gable ou palma com palma, aplicando pressão combinada traqueal e carótida. O short choke é mais rápido (2–5 segundos vs 8–10), mas apresenta maior risco de lesão.
Por que o short choke é mais rápido que o RNC?
O short choke comprime tanto as artérias carótidas quanto a traqueia simultaneamente, enquanto o RNC visa apenas as artérias carótidas. A combinação de restrição do fluxo sanguíneo e compressão das vias aéreas produz inconsciência ou tap mais rapidamente. Além disso, o short choke não exige preparação demorada — pode ser aplicado imediatamente a partir do controle das costas.
O short choke é legal em competição?
Sim. O short choke é legal em competições IBJJF em todas as faixas, no UFC/MMA, no grappling de submissão ADCC e no judô (onde se enquadra no hadaka jime). Algumas competições regionais podem restringir estrangulamentos "esmagadores", mas os principais regulamentos o permitem.
Como se defender contra estrangulamentos pelas costas?
As principais defesas são: luta de mãos para impedir que o braço que estrangula se posicione, encaixar o queixo para bloquear a entrada do RNC, criar frames com as mãos contra o antebraço e trabalhar para livrar os ganchos e escapar completamente do controle das costas. Contra o short choke especificamente, virar em direção ao atacante para reduzir o ângulo do antebraço pode aliviar a pressão.
O que é hadaka jime?
Hadaka jime é o termo do judô para "estrangulamento nu" — um estrangulamento aplicado sem usar o quimono. Abrange tanto o rear naked choke quanto as variações do short choke. O termo "nu" refere-se à ausência da gola do quimono no mecanismo de estrangulamento.
O short choke pode causar lesão?
Sim. Como o short choke aplica pressão direta na traqueia, apresenta maior risco de contusão ou dano traqueal comparado ao estrangulamento sanguíneo limpo do RNC. No treino, o short choke deve ser aplicado gradualmente, e os parceiros de treino devem dar tap cedo. Em competição, o árbitro pode parar a luta se o estrangulamento parecer perigoso.
Qual é a melhor pegada para o short choke?
O gable grip (palma com palma com dedos entrelaçados) proporciona a maior força esmagadora e é a escolha mais comum. A pegada palma com palma sem entrelaçar dedos permite transições mais rápidas. O S-grip oferece flexibilidade, mas menos força. A melhor pegada depende do tamanho da mão, do comprimento do braço e do ângulo específico do estrangulamento.